quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Criticando Cinema: Star Wars - Episódio VII: O Despertar da Força

Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante....



STAR WARS – EPISÓDIO VII: O Despertar da Força


Nostalgia! Essa palavra é a que define primeiramente a impressão que tivemos ao assistir a sessão de pré-estreia do novo episódio da saga Star Wars. Eram milhares de fãs espalhados por todo o hall do cinema. Pequenos Darth Vaders, diversos Stormtroopers e Princesas Léias de todos os gêneros se misturavam com uma multidão de fãs aficionados e ansiosos para o despertar de uma série após 30 anos de espera para a continuação desta história.


Eram poucos os que não usavam pelo menos alguma peça de roupa referente à saga. Muitos compravam baldes de pipoca, copos e óculos 3D temáticos simplesmente para celebrar esse dia de nerdice.

Mas vamos ao que realmente interessa ao Criticando Cinema: o filme!
Recheado de efeitos especiais de primeira qualidade, timing entre comédia e drama bem equilibrados e muita, mas muita ação, O Despertar da Força consegue ficar acima da média. Os fãs podem ficar despreocupados, pois o filme é um ótimo entretenimento para uma sessão pipoca e com certeza irá divertir muitos, mesmo os que foram apresentados agora para a série.


O casal protagonista Rey e Finn ( Daisy Ridley e John Boyega) conseguem passar o carisma necessário para cativar o púlbico. Suas cenas juntas, principalmente as do começo do filme no planeta Jakku, funcionam muito bem, principalmente pela simplicidade. Faltou um pouco mais de espaço para o "grande" piloto Poe Dameron (Oscar Isaac) que possui aparições esporádicas. Os personagens antigos também são muito bem introduzidos e mesmo estando "um pouco" velhos ainda conseguem abraçar os sentimentos do público como antigamente. O grande problema dos novos personagens fica com o vilão Kylo Ren (Adam Driver) que não consegue suportar o peso de sucessor de Darth Vader e fica simplesmente com o papel de adolescente rebelde e mimado. A direção de J.J. Abrams também faz jus a trilogia original de George Lucas, mas é quando chegamos ao roteiro do filme os problemas começam a aparecer.


A impressão que se passa é de uma reciclagem dos roteiros de Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca misturados e jogados neste novo episódio. É óbvio que se trata de um fan servisse, mas chegou ao ponto de ter muitas peculiaridades tão repetitivas que até o plot twist do filme já ficou manjado (não se preocupe, sem spoilers!).

Mesmo com o filme trabalhando bastante no mistério e deixando pontos para serem explicados ao longo dos próximos episódios, muitos detalhes que seriam de bom grado ser tratados foram jogados de canto para dar espaço as explosões e tiros.  Personagens como Capitã Phasma e Líder Supremo Snoke (Gwendoline Christie e Andy Serkys) são personagens mal utilizados e sem base. O mesmo é questionado ao grupo da Primeira Ordem, onde nada se fala como tomaram o lugar do Império e seu espaço dentro do governo galático.


É indiscutível que o filme traz diversas emoções da primeira trilogia e com toda a certeza muitos se divertirão assistindo. Mas, o mais impressionante, é como a Walt Disney conseguiu ressuscitar novamente uma franquia. Prepare-se para ver milhares e milhares de produtos espalhados por aí.



Em suma, o filme é decente e garantirá muitas diversões. Todos os pontos fortes de Star Wars estarão presentes e com certeza em algumas cenas você irá vibrar, mas não espere ver algo inovador, pois o que está nos cinemas já foi apresentado há mais de trinta anos atrás!



André Bludeni

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Qual o motivo de Star Wars estar (de novo) conquistando o marketing atual ?


  Quando George Lucas lançou o primeiro filme da franquia Star Wars nos cinemas americanos em 1977, não imaginava que criaria a primeira franquia cinematográfica mundial que se estenderia até os dias atuais.

  Com muitos problemas de financiamento pelos diversos efeitos especiais, o primeiro filme da franquia foi lançado como sendo apenas uma única história, mesmo que na cabeça de Lucas a história cresceria por mais oito filmes e contos entre os intervalos temporais de cada um.

  Acontece que o público de 1977 abraçou a ideia da Space Opera e deu forças para a Lucasfilm (estúdio de George Lucas e criadora de outras franquias como Indiana Jones), investir cada vez mais em Star Wars. Foram bonecos, pôsteres, roupas e outros milhares de produtos lançados com os personagens dos filmes, que os fãs deixavam seu suado dinheirinho para adquirir. Quem não gostaria de ter um boneco do robozinho R2-D2, ou sabres de luz e até mesmo uma máscara do icônico vilão, Darth Vader.

  Até meados da década de 90, alguns anos após o Episódio VI – Retorno de Jedi, e último filme da primeira trilogia ser lançado, a franquia Star Wars conseguiu se sustentar bem, mas algo atrapalhou os planos de George Lucas, a tecnologia!

  Os filmes de Star Wars tornaram-se ultrapassados  por causa de seus efeitos especiais antigos. O que antigamente era idolatrado como as maquiagens e bonecos animatrônicos, tornou-se arcaico perto das novas tecnologias de CGI que os cinemas estavam apresentando, logo os jovens da época, se não tivessem a franquia apresentada por seus pais fãs, teriam as aventuras de Star Wars passadas batidas em suas vidas.

  As vendas de produtos de Star Wars caíram drasticamente e foi quando George Lucas decidiu tomar uma nova iniciativa dentro de sua criação! Primeiramente fora anunciado mais três filmes de prelúdio para a trilogia original, mas desta vez com diversos efeitos especiais atualizados da época. Também foram remasterizados os filmes já lançados com efeitos especiais que na época não existiam.

  Esta manobra fez muitos fãs da primeira “fase” torcerem bastante o nariz, pois para eles George Lucas estava destruindo sua própria criação. Mas é inegável que as ações deram um novo (mesmo que curto) respiro para a franquia. Mas quais foram os erros de Lucas?
  Primeiramente, mesmo com novamente todos os milhares de produtos lançados com os novos personagens da segunda trilogia, os filmes não caíram no gosto do público. As histórias, diversas vezes ficam desconexas com a trilogia original, coisas inventadas para os prelúdios iam contra o que se falava na primeira leva de filmes. A tecnologia realmente salvou Star Wars de não se tornar um fracasso total, mas foi apenas uma questão de tempo para que caísse no esquecimento de novo.

  George Lucas, agora odiado pelos fãs antigos, preferiu então investir no público jovem no começo dos anos 2000. Foi quando lançou a animação Guerras Clônicas, especificamente voltado para as crianças. Deste modo a franquia Star Wars ganhou uma roupagem muito mais infantil do que alguma vez já tivera. Mas com um público limitado e sem por onde se aprofundar mais nas histórias, a série animada caiu em repetição e foi cancelada.

  Após uma década sem, praticamente, nenhuma novidade do mundo de Star Wars foi quando surgiu a notícia de que a Disney havia comprado o estúdio da Lucasfilm por US$ 4 Bilhões em 2012. A Disney não teve que acalmar os resmungos dos fãs mais velhos e hard-core de que a corporação gigante arruinaria a franquia, mas mesmo assim havia uma certa preocupação se a franquia iria ser mais infantilizada do que já estava e veríamos Mickey Mouse com um sabre de luz lutando contra Darth Vader.

  Mas a Disney já havia provado que sabia realmente administrar uma franquia e seu marketing junto com o sucesso estrondoso e mundial do Universo Marvel, logo com Star Wars fora a mesma coisa!

  Os fãs sempre foram o grande foco da Disney. Independente de quererem apresentarem a franquia para o público jovem novamente, desta vez não queriam desapontar os amantes de longa data, foi então que criaram o melhor jogo de marketing já visto na história dos cinemas.

  O grande trunfo deles fora o mistério, uma vez que anunciado o filme e até a data de hoje (três dias para o lançamento) nada se sabe sobre a trama e pouco sobre os novos personagens. A volta dos personagens clássicos da primeira trilogia também fora uma grande sacada para buscar os fãs antigos, pois sempre havia a curiosidade de saber o que se aconteceu com todos eles após o final da história.

  Com a contratação de J.J. Abrams, fã da série e ótimo diretor que trouxe de volta Star Trek, podemos esperar que não veremos apenas uma nova aventura para se vender bonecos, mas também algo que acrescente mais esta mitologia espacial.

  Com poucos trailer e esses tendo as cenas meticulosamente selecionadas para nada ser entregue antes, O Despertar da Força tem criado um alvoroço mundial por causa do mistério e curiosidade dos fãs! Os que ainda não conheciam a franquia foram atrás do que se tratava e tornaram-se amantes também dos filmes e do universo de Star Wars.

  Aos poucos, os estúdios da Walt Disney foi orquestrando seu time inteiro de marketing para apresentar a maior jogada de publicidade já feita! Não é toa, sendo que o Imax registrou US$ 6,5 milhões de vendas domésticas de ingresso no primeiro dia, batendo de longe a sua antiga marca de maior arrecadação em um único dia, que era de cerca de US$ 1 milhão. A AMC disse que já esgotou as vendas de mil sessões nos Estados Unidos.

  Primeiramente o truque veio nos trailers. O primeiro trailer, que estreou no ano passado nos cinemas e no iTunes, atraiu 55 milhões de views nas suas primeiras 24 horas, e até hoje ele já foi visto mais de 150 milhões de vezes. O segundo trailer, revelado durante um evento para fãs, foi transmitido ao vivo e assistido 88 milhões de vezes nas suas primeiras 24 horas e mais de 200 milhões de vezes ao todo. O terceiro trailer, que foi ao ar em outubro durante o “Monday Night Football”, da ESPN, foi visto mais de 128 milhões de vezes na TV e online dentro das primeiras 24 horas depois de seu lançamento.

  Após o “vírus Star Wars” estar inserindo na cabeça de todos, começou a venda de produtos licenciados, o que não foram poucos! Com 15 semanas de antecedência as prateleiras das lojas estavam lotadas de todos os tipos de produtos com estampas de Star Wars. Foi uma parcial gigantesca com marcas de peso, como CoverGirl e Max Factor, Duracell, Fiat Chrysler Automobiles, General Mills, HP, Subway e Verizon. Os artigos chegaram a alcançar um lucro de US$ 3 bilhões só neste ano.

 Em seguida, todo o Complexo Disney começou a se mexer em favor de Star Wars. Estúdios de TV, empresas licencias e outros com parcerias começaram a se movimentar para o grande marketing espacial. Jimmy Kinnel, apresentador do Late Night, da ABC, fez um episódio inteiro baseado em Star Wars no mês passado. Shonda Rhimes mostrou novas imagens durante a programação do TGIT. O Country Music Awards teve um segmento de abertura tendo Star Wars como tema. E a música de tema do filme foi cantada pelo grupo a capela Pentatonix e uma orquestra sinfônica inteira durante o American Music Awards. Os apresentadores do Good Morning America mostraram os novos brinquedos de Star Wars enquanto estavam vestidos como os personagens do filme e reencenaram o trailer. Houve um clipe da Pixar com os personagens do filme Divertidamente reagindo ao trailer de Star Wars.

  Outro grande aliado da Walt Disney foram as redes sociais que além de ter um número de compartilhamento de seus materiais fenomenais, teve exibição de coisas exclusivas, como por exemplo a conta do Instagram de Star Wars que adiantou um clipe de quinze segundos do filme em agosto, se tornando o primeiro conteúdo de vídeo a ser mostrado na nova orientação de paisagem do Instagram. Então, em setembro, Star Wars permitiu que sua audiência corresse pelo deserto de Jakku como um parceiro de lançamento do 360 vídeo do Facebook.

  Ainda não podemos saber se o Star Wars – O Despertar da Força será realmente um grande filme épico que trará as raízes da trilogia original de volta junto com o glamour que se teve na década de 70 e 80, mas é indiscutível que o time de publicidade e marketing realmente fez algo fenomenal e que com certeza ficará marcado para a história. Vale ressaltar que mais três filmes já estão confirmados até 2017, sendo assim essa apenas a ponta de um iceberg de muito mais marketing e produtos licenciados que encontraremos por aí.

Este ano, Papai Noel usará um sabre de luz e a Millenium Falcon para fazer suas entregas de Natal, caso contrário, ninguém lembrará dele.




André Bludeni