quarta-feira, 21 de outubro de 2015

De Tudo Um Pouco: Onde está Luke enquanto a força desperta?


Na última coluna escrevi a respeito do último trailer de Star Wars – O Despertar da Força (vou ser sincero, está me dando uma vontade de escrever Guerra nas Estrelas, só pela nostalgia da coisa), continuando, falei sobre o trailer e também citei que com ele algumas teorias: conspiratórias ou não começavam a surgir, e a principal delas era devido a ausência do grande herói da saga original, Luke Skywalker. Tá bom, tá certo que a mão dele aparece novamente fazendo um afago no R2-D2, porém é só isso. No primeiro trailer, ele é o narrador, explica que a força é algo interessante, aquela coisa toda de que ele tem, o pai dele tinha, a irmã dele tem e que a pessoa para quem ele narrava a respeito da força tinha também. E só isso que tivemos do Luke. Fora as fotos do Set de filmagem onde ele aparece com um visual Obi-Wan Kenobi / Qui-Gon Jinn. De resto, mais nada do Sr. Skywalker.


Daí, logo após exibição e re-exibição e dezenas de postagens do novo trailer, meu celular começa a vibrar com mensagens de um amigo querendo saber e teorizar onde diabos está o Luke. E daí surge a primeira grande teoria: Luke cedeu para o lado negro da Força e teria ele treinado o Kylo Ren (Caso não saiba, sempre existe apenas um Lord Sith e seu aprendiz. Nunca mais que isso).  Outra teoria é que na verdade Skywalker seria Kylo Ren, essa teoria é embasada no fato de Mark Hamill aparecer como o segundo nome do elenco principal, mas ainda não apareceu no pôster e o ator que teoricamente seria Kylo Ren (Adam Driver) ainda não apareceu realmente como Kylo Ren, no máximo na revista Vanity Fair e aparentemente o personagem de John Boyega aparece lutando contra Adam Driver, mas quem garante que Adam Driver é Kylo Ren?


Afinal o diretor do filme J.J. Abrams já explicou que Ren não é exatamente um nome, é sim um título como era Darth nas duas trilogias anteriores. No caso o Ren é referente aos cavaleiros de Ren.

Outra teoria, que é a que inicialmente eu estava mais propenso a acreditar era a que Luke, após a vitória dos rebeldes e derrubada do Império, teria sido sequestrado pelos simpatizantes de Palpatine e como era o último Jedi e grande detentor da força, teria sido obrigado a treinar Kylo Ren, e dessa forma o personagem realmente teria sido treinado por Luke, mas não como um discípulo, mas como algo mais forçado. Parece uma teoria meio forçada, mas é aquela cosia de não querer ver o herói sucumbindo ao mal.

Há, porém um grande detalhe, que é de suma importância. Em 1998/1999, próximo ao lançamento de A Ameaça Fantasma, George Lucas, começou a dar uma série de entrevistas, explicando a respeito da trilogia original, como ele tinha imaginado tudo em 9 episódios e outras coisas do gênero e ele falava algo que era muito importante para essa trilogia que vem agora: as cores das vestimentas de Luke Skywalker. Em A Nova Esperança ele se veste praticamente de branco (a não ser quando veste a roupa laranja de piloto e o casaco amarelo no final). Em o Império Contra-Ataca suas roupas já são acinzentadas. E em o Retorno de Jedi ele se veste de preto. Ou seja, George Lucas já deixou escapar que havia realmente uma grande possibilidade de nessa nova trilogia nós acompanharmos a “Ascensão” de Luke ao lado negro da força e ao final uma redenção em prol dos filhos de Han e Leia. Agora a questão é: Será que A ideia original de George Lucas ainda foi levada em consideração pela Disney e pelos responsáveis pela nova trilogia?

Eu acho que se esse filme tivesse sido feito lá atrás, logo após a trilogia original, nós realmente veríamos Luke sucumbir ao lado negro da força e depois partir (talvez) em busca de uma redenção, afinal, era uma época mais sem esperança, onde o sucesso estava mais nos anti-heróis, como Travis de Taxi Driver por exemplo. Mas atualmente é uma fase da busca de um ideal, de heróis, e você fazer um dos grandes heróis do cinema sucumbir e se tornar um vilão, talvez não seja algo que a Disney realmente venha a apreciar. Mas estamos falando de J.J. Abrams, e vamos combinar que ele sempre gosta de tirar uma surpresa da cartola.

A verdade que o que temos são teorias, teorias e mais teorias...
E você sabe o que isso tudo quer dizer?
É que eu não vejo a hora do dia 17 de dezembro chegar para começar a matar logo a curiosidade!


Alexandre Araújo

terça-feira, 20 de outubro de 2015

De Tudo Um Pouco: E a Força Despertou!


  Segunda-feira, 19 de outubro de 2015. A ESPN transmitia New York Giants x Philadelphia Eagles, dois times que para mim não tem tanto atrativo, mas era inegável que o jogo de ontem tinha um “tempero” a mais. 


  Na verdade não era o jogo em si. Mas o que um dos seus comerciais iria proporcionar. E no “two minutes warning” do final do primeiro tempo aconteceu. O jogo foi para o seu intervalo. E durante exatos 2 minutos e 30 segundos valeu a pena esperar. 


  E foi esse o tempo exato necessário para a FORÇA DESPERTAR. Para acordar e fazer a galera correr para frente dos computadores, smartphones, tablets, etc. atrás dos ingressos para a estreia no dia 17 de dezembro.  A Força despertou para os nerds que esperavam ansiosos por isso, mas também para os não nerds, que se deixaram levar pela comoção dos envolvidos e também pelo tom épico que o trailer proporciona. 


  Tudo está lá: os lados da força, seus personagens carismáticos, Han, Chewie, Léia, a máscara do Vader, os novos personagens que carregarão essa nova fase de Star Wars, os sabres de luz, os stortrooper e... a mão de Luke, pensando bem quase tudo está lá, menos o Luke. Porque se no primeiro trailer era a voz dele que escutávamos, nesse agora nem isso. E aí que entra uma coisa que deixa tudo ainda mais eletrizante, as teorias sobre o que essa nova trilogia vai tratar. Afinal, o lado negro da força sucumbiu com a morte do Imperador e de Darth Vader ao final de O Retorno de Jedi? Terá Luke sucumbido aos desejos do Imperador e  ao lado negro? Quem é Kylo Ren? Onde diabos está Luke? 


  E o pior é que fica faltando ainda quase DOIS MESES para sabermos as repostas (isso se conseguir encontrar algum ingresso para as sessões de lançamento do filme), caso contrário, a agonia pode ser ainda maior. 



  Lembro do frenesi que foi na época do lançamento de “A Ameaça Fantasma”, só espero não sair do cinema com a mesma sensação que sai naquela época, uma frustração e desapontamento, que somente George Lucas poderia proporcionar. Mas agora, sei que isso não vai acontecer, afinal é JJ Abrahams, ele pode não ser Chris Nolan (In Nolan we trust ;) ) mas é alguém que merece depositarmos a nossa confiança. O que sei é que estou muito empolgado para o dia 17 de dezembro. 


  Na verdade eu já estava, desde que Han Solo apareceu no primeiro trailer e avisou a Chewie que eles estavam em casa, com essa frase a sensação que eu tive foi: “Deixa com a gente que agora tá tudo certo, tudo vai ficar bem”. E depois do trailer de ontem tudo ficou ainda mais potencializado e com toda a certeza agora a Força finalmente Despertou!







Alexandre Araújo

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Sítio Santa Seiva

  "Uma mistura de Sítio do Pica Pau Amarelo com Castelo Rá Tim Bum e toques de Hayao Miyazaki"


Era uma mata fechada e o breu dominava minha visão. Continuei a caminhar e caminhar perdidamente até um ponto de luz se aproximar de mim sorrateiramente. A voz era calma e dizia: "Não se preocupe. Você já está chegando. Não desista!". Caminhei mais até chegar a um portão de ferro vazado. Ao passar por ele me deparei com um sítio, dentro da mata, onde me recebia uma grande leão (velho, mas muito forte) sentado ao lado de uma estátua de mulher ruiva. O grande animal onipotente (pasmem!) disse: Bem-vindo ao Sítio Santa Seiva!

  Acordei desse sonho maluco completamente intrigado. Mas que raios tinha sido tudo isso? O mais surpreendente foi que ao procurar o lugar que sonhei na internet, ele realmente existia e não muito longe de onde eu moro. Liguei para lá, ainda em choque com tamanha surpresa, e marquei de visitar tal lugar misterioso neste último feriado mesmo.
  No lado Sul de Ilhabela, o Sítio Santa Seiva realmente ficava no meio do mato. Chegando no local tarde da noite, pouca coisa vi no começo. Apenas que eu estava dentro do meio de pequenas construções adaptadas naquele matagal, iluminadas por neons coloridos.



  Fomos recebidos pelo carinhoso e solicito Eric, o biólogo do Sítio, que caiu naquele mundo diferente há mais de cinco anos e não conseguiu sair de lá. Ele nos passou as regras básicas do Sítio primeiramente:
  1- Santa Seiva não é hotel e nem pousada. É um sítio, uma casa, onde pessoas moram e que abrem as portas para quem quiser entrar. 
  2 - Todos os seres de luz são bem vindos! Independente do que você acredite e deixa de acreditar, será bem recebido no Sítio.
  3 - Não se fala mal, reclama ou maldiz nada e nem ninguém.
  4 - Respeite a natureza e suas energias. Assim ela te respeitará.
  5 - A sustentabilidade é algo levado muito a sério lá. Logo todo lixo produzido por você terá um direcionamento específico.
  6- Tudo o que se consome no Sítio, vem do Sítio. Legumes, verduras, feijões e ovos. Eles evitam ao máximo carne.

  Tudo aquilo já me assustou de princípio. Já estava me questionando a onde eu havia me enfiado, mas ao me levarem a minha cabana eu percebi que tudo aquilo havia de ter um motivo. A cabana Parreira, mesmo que rústica, era muito bem arrumada, com todos os cômodos bem organizados. Até mesmo um incenso tinha sido deixado pelos anfitriões como um mimo. E sim, a estátua da mulher ruiva estava na entrada da cabana.



 Após estarmos bem instalados fomos levados por Eric ao criador do Sítio, o famoso Galeno. Subimos até a casa principal e foi neste momento que revi o leão do meu sonho. Galeno era um senhor que aparentava muito menos do que sua real idade. Muito forte e bem humorado, as características de um leão são óbvias. Uma barba branca e farta e traços de um corpo que já enfrentou muitas batalhas vitoriosas.

  Seu grande sorriso ao me ver só não foi mais reconfortante do que seu forte e aconchegante abraço. Um abraço que demorou mais do que os abraços comuns e que trouxe risadas de felicidade e trocas de energia. As falas do leão foram as mesmas do sonho. "Bem-vindo ao Sítio! Que bom que você voltou e nos reencontramos!" 



  Aquilo era muita loucura na minha cabeça, mas uma loucura que fazia sentido! Galeno realmente parecia familiar para mim. De outras vidas ou sei lá, mas aquela figura fantástica eu já conhecia e muito bem.

 Independente de se passar de várias horas da madrugada, as conversas sobre energias, espiritualidade e os seis elementos se estenderam por muito tempo regado de um doce café caseiro e uma breve apresentação ao Sítio. Eu me sentia em casa e em família.
  Os galos cantaram ao amanhecer do dia, mas enrolamos um pouco mais na cama.  Coisa que nos arrependemos já que ao olhar pela janela tínhamos uma linda visão da mata viva, da costeira e do lindo canal que liga Ilhabela a São Sebastião. Uma visão digna de um quadro ou de uma emocionante cena cinematográfica. 



  Aliás tudo parecia realmente um cenário de filme. Desde o sino tocado por Eric para todos se reunirem para a refeição, até as construções do local. Uma mistura de Castelo Rá Tim Bum com Sítio do Pica Pau Amarelo. Eram escadas improvisadas, paredes pintadas, casinhas e casões, piscinas, lagos, fogueiras, corrimões coloridos e objetos....objetos para todos os lados.



  No café da manhã fomos apresentados para todos os "moradores". De pessoas que iam passar o final de semana a outros que passavam meses. Cada um completamente diferente do outro, mas o mais impressionante era que todos estavam lá em harmonia, se relacionando como uma família, e se ajudando como não temos o costume de ver no nosso dia-a-dia.

  Vamos as figuras dessa tal família maluca. A maioria poderia ser denominada como "hippie", mas essa seria uma atribuição leviana e sem boa percepção. Dentro dessa muvuca toda alguns me chamaram realmente a atenção: 
  * O pai, guru e mestre, obviamente, era Galeno.
  * O filho prodígio e futuro sucessor do trono do Sítio, Eric.
  * Rose, a bruxa espiritualista e iluminada que trazia paz e concentração com o som de seu tambor.
  * Davi, o garoto selvagem! Uma figura tão excêntrica e tão interessante que mesmo vivendo dentro de seu mundo transmitia uma sensação de que ele realmente compreendia e manipulava bem os métodos que o Sítio queria nos proporcionar.
  * Arthur, o galã aventureiro. Provavelmente o mais interessado nos assuntos. Muito viajado e com vasta experiências mundo a fora, parecia um herói saído de um filme steampunk com sua moto, seu bigode e penteado no estilo anos 20.
  * Vivi era o lado doce do Sítio. Morando lá há alguns meses era o braço trabalhador  dos bastidores. O símbolo da natureza brasileira.
  * Por fim vinha Leandro, os olhos do Sítio para o resto do mundo. O fotógrafo titular era ávido para saber mais e mais do conhecimento que poderia ter. Seja de Galeno, ou de seu tutor no ramo, Martin, o velho pajé argentino. Sempre sereno e quieto no seu canto. Parecia que sempre estava bravo, mas era nos pontos cruciais que soltava piadas infames.



  No feriado que se estendia conhecemos muito sobre bio-arquitetura. Também conhecemos a diferença entre as terras, das plantações e todo vasto assunto. Soubemos como memorizar os cheiros. Aprendemos a manipular o elemento água, o elemento terra, o elemento ar, o elemento fogo,... até chegarmos ao sexto elemento, o éter. Treinamos os seis sentidos e muitas outras coisas.Tudo isso através de longos e interessantes discursos de Galeno, que rugia avidamente prendendo a atenção de todos por horas. Era um espetáculo sua apresentação. Quase como se uma entidade encorporasse no homem para repassar os ensinamentos.



  Um lugar que não trabalha com energias ruins, com o mal. Um lugar que sobrevive de puro escambo. Um lugar para reaprender a viver, para recarregar suas energias e voltar ao contato com ( por quê não?) Gaia.


  Como a própria Rose comentou, visitei uma obra do visionário Hayao Miyazaki. Eu estava dentro do filme A VIagem de Chihiro com Castelo Animado. A única diferença era o fato de termos novos ( e tão interessantes) personagens dentro de uma mata brasileira. De resto tudo estava lá! A sensibilidade, a energia, os traços pincelados de cores tão vivas e o contato tão forte coma  natureza e seus frutos, seja eles animais ou vegetais.



  O Sítio Santa Seiva me ensinou a diferença entre ver e enxergar, de ouvir e escutar, de cheirar e sentir, de tocar e entender. Aprendi que a mente também mente! E que encontrei uma extensão de casa.

  Pretendo voltar ao Sítio Santa Seiva o mais breve possível, pois realmente encontrei um universo paralelo.




André Bludeni