Irei começar uma coluna (ainda sem data certa de de publicações) sobre cinema, uma paixão minha.
Como esta semana ainda não assisti muita coisa nova, irei começar com um desenho clássico da Disney que obviamente todos já viram ou ouviram falar, Pocahontas.
Esta primeira coluna não será exatamente uma crítica ao filme, mas sim uma análise da estória contada pela Disney e a história verídica.
Por quê Pocahontas? Não tinha nada...melhor...?
Bom, a idéia veio por uma conversa que tive hoje onde este filme entrou em cena e que me deixou curioso para saber a real história da indígena norte-americana.
Pouca coisa se sabe da verdadeira história de Pocahontas, pois sua história tem poucos vestígios escritos em contra as lendas contadas de geração e geração.
Peter Schneider (o então presidente da Walt Disney Feature Animation) e seu time de desenvolvimento consideravam uma versão animada da história de “Romeu e Julieta” por cerca de oito anos e o rascunho de Mike Gabriel da história de Pocahontas tinha muito dos mesmos elementos. Schneider diz que “nós estávamos particularmente interessados em explorar o tema de que se não aprendermos a viver uns com os outros, nos destruiremos".
Com seu projeto tendo recebido a aprovação dos executivos (o projeto aprovado mais rapidamente na história do estúdio), Gabriel começou a escrever um rascunho da história e trabalhou com Joe Grant em experimentações visuais preliminares e notas de história.
Em 1992, após acabar seu trabalho supervisionando a animação do Gênio de Aladdin, Eric Goldberg se uniu a Mike Gabriel como codiretor de Pocahontas. Mike e eu separamos nossas funções conta Goldberg. Eu fiquei principalmente a cargo da animação e do clean-up enquanto ele lidava com layout, cenários e modelos de cor.
O grande sucesso de A bela e a fera (1991) teve grande influência na produção de Pocahontas. O filme ganhou as graças não apenas do público infantil, mas também de uma grande parte do público adulto, culminando em uma indicação ao Oscar de melhor filme, a primeira do tipo para um filme de animação.
Com o intuito de produzir um filme animado mais adulto que, finalmente, ganhasse a disputada estatueta, Jeffrey Katzenberg, então responsável pelo departamento de animação, resolveu fazer com que Pocahontas se encaixasse às suas ambições. O filme foi estruturado como uma história séria e madura e grande parte dos momentos cômicos foram excluídos.
Em 1995, a animação Pocahontas foi lançada contando a história da índia que salvou o Capitão John Smith de um afogamento e juntos tentam manter a paz entre os colonizadores e a tribo indígena Powhatan.
Diferente do filme, na vida real John Smith, um homem bruto de cabelos castanhos e barbudo ( nada delicado e loiro como no desenho), nunca teve uma relação amorosa com Pocahontas, pois o navio de John Smith chegou ao novo continente em 1607 e nesta época os dados apontados mostram que Pocahontas tinha apenas onze anos de idade, sendo assim, John Smith, um tutor e professor da língua e costumes inglês mais do que qualquer coisa. Em 1609, por causa de um acidente com pólvora, Capitão John Smith teve que voltar a Inglaterra.
Representantes da Nação Powahatan criticaram fervorosamente a Disney na época pedindo que a empresa ratificasse os erros cometidos, como este laço amoroso entre os personagens e o nome usado para a índia que era apenas um apelido de infância que significava "garota mimada".
Outro fato, Governor Ratcliffe é o vilão na história. Ao contrário dos outros vilões da Disney, a personagem é baseada em várias figuras históricas reais. Apesar do capitão do The Discovery, John Ratcliffe, ter sido governador de Jamestown a certo ponto, não foi o primeiro, nem foi o capitão do navio em que John Smith e o resto da tripulação da Virginia chegaram.
Pocahontas, na verdade, foi casada com John Rolfe, um grande comerciante inglês de tabaco. A jovem índia, em 1612, com apenas dezessete anos, foi aprisionada pelos ingleses enquanto estava em uma visita social e foi mantida na prisão de Jamestown por mais de um ano. Durante o período de captura, o inglês John Rolfe demonstrou um especial interesse na jovem prisioneira. Como condição para Pocahontas ser libertada, ela teve de se casar com Rolfe.
Pocahontas passou um ano prisioneira, mas tratada como um membro da corte. Alexander Whitaker, ministro inglês, ensinou o cristianismo e aprimorou o inglês de Pocahontas e, quando este providenciou seu batismo cristão, Pocahontas escolheu o nome de Rebecca.
Logo após isso, ela teve seu primeiro filho, a qual deu o nome de Thomas Rolfe. Os descendentes de Pocahontas e John Rolfe ficaram conhecidos como Red Rolfes.
Em 1616, Rolfe, Pocahontas e Thomas viajaram para Inglaterra. Junto a eles, onze membros da tribo Powhatan, incluindo o sacerdote Tomocomo. Na Inglaterra, Pocahontas descobriu que Smith estava vivo, mas não pôde encontrá-lo, pois estava viajando. Mas Smith mandou uma carta à rainha Ana, informando que fosse tratada com nobreza. Pocahontas e os membros da tribo se tornaram imensamente populares entre os nobres e, em um evento, Pocahontas e Tomocomo se encontraram com o rei James, que simpatizou com ambos.
Em 1617, Pocahontas e John Smith se reencontraram. Smith escreveu em seus livros que, durante o reencontro, Pocahontas não disse uma palavra a ele, mas, quando tiveram a oportunidade de conversarem sozinhos por horas, ela declarou estar decepcionada com ele, por não ter ajudado a manter a paz entre sua tribo e os colonos. Meses depois, Rolfe e Pocahontas decidiram retornar à Virgínia, mas uma doença de Pocahontas (provavelmente a varíola, pneumonia ou tuberculose) obrigou o navio em que estavam a voltar para Gravesend, em Kent, na Inglaterra, onde Pocahontas veio a falecer.
Após sua morte, diversos romances sobre sua história foram escritos, sendo que todos retratavam um romance entre Smith e Pocahontas. A maioria, ainda, tratava John Rolfe como um vilão, que teria separado os dois e casado com Pocahontas à força. Apesar de sua fama, as figuras encontradas sobre Pocahontas sempre foram de caráter fantasioso, sendo a mais real figura de Pocahontas a pintura de Simon Van de Passe, que foi feita em 1616.
Como uma forma de desculpas e reparar alguns erros, a Disney criou o desenho Pocahontas 2 - Journey to a New World, onde parte da história da ida de Pocahontas a Inglaterra, seu romance com John Rolfe e a falsa notícia da morte de John Smith é relatada.
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