quinta-feira, 31 de março de 2016

A Assombração "Trenzinho Carreta Furacão"

  Contos, lendas urbanas, histórias de assombrações e acontecimentos sobrenaturais são coisas que sempre chamam a atenção de qualquer ouvinte ou leitor ao assunto, independente do conteúdo. A maioria das histórias obviamente são falsas e beiram o absurdo, mas recentemente uma onda de relatos de estranhos acontecimentos veem invadindo a internet no interior de São Paulo. Alguns são acompanhados por fotos e vídeos aterrorizando os mais curiosos.

  Em Ribeirão Preto, nas noites mais quentes de verão, o silêncio das ruas escuras presencia o que muitos chamam da coisa mais diabólica e satânica de todas: O TRENZINHO CARRETA FURACÃO!



   Primeiramente o silêncio é quebrado por um canto pagão e hipnotizante. Em vozes silvantes, a voz demoníaca repete inúmeras vezes a frase “Siga em Frente, Olhe para o lado! Se liga no Mestiço, na batida do cavaco!” ritmado em sons estridentes. O canto torna-se um ritual que invade todas as casas e comércios de luzes acessas deixando todos os moradores apavorados.

  Seguidamente, os relatos dizem que figuras humanoides dos piores confins do Inferno correm em velocidades impressionantes pelas calçadas apavorando crianças em adultos. São figuras coloridas, de cabeças grandes, olhos sem vidas, cabelos longos e chamativos. Alguns temem a dizer que personagens da cultura pop foram  inspirados nesses seres assombrosos (Popeye, Capitão América, Bem 10, Homem-Aranha, Mickey Mouse, Fofão,...).

  Estes demônios encarnados em corpos semi-humanos começam então a criar uma dança para o ritual de assombração. Neste momento, muitas pessoas já se evadiram por medo, mas alguns corajosos permanecem para relatarem os acontecimentos e provarem que tal assombração é verídica. Sobreviventes afirmam que as criaturas correm em torno das pessoas gritando, pulando e dando piruetas. Normalmente param em pontos específicos e efetuam movimentos sincronizados semelhantes a uma dança, que para especialistas é uma forma de expressarem seus ódios e intimidação pelos mortais. Alguns monstros mais antigos efetuam ações mais brutas, como escalar edificações, se pendurar em postes e pontes e até, pasmem, andar pelos muros!


  Algumas poucas criaturas foram destruídas através de próprios deslizes das assombrações, mas um caso ficou marcado com o herói anônimo que atropelou em sua bicicleta uma das criaturas que atacaria a casa de pobres pessoas indefesas.



  O pior do terror ainda vem por aí... O nome que antecede a assombração Carreta Furacão tem um propósito e esse é o veículo ( se assim podemos chamar) que acompanha as criaturas infernais. Trata-se de uma espécie de trenzinho, iluminado por luzes satânicas e que emite o canto do ritual. Este trem passa pelas ruas e vai sendo ocupado pelas almas dos que não conseguiram sobreviver à Assombração Carreta Furacão. Almas e mais almas são sugadas pelas criaturas horrendas através de sua dança e levadas até o trem. Após efetuarem todo o ritual diabólico, as criaturas juntam-se ao trem penduradas, e algumas mais audaciosas pulando pelas ruas e muros, até outro ponto onde novas vítimas possam ser consumidas.




  Ao longo de uma noite de puro terror, o Trenzinho da Carreta Furacão, some nas sombras da madrugada sem deixar vestígios. Ninguém sabe onde vivem como são invocados e quando irão retornar para aterrorizar os moradores novamente. Apenas se sabe que o Trenzinho Carreta Furacão não perdoa e não se intimida, pois até outros assombrações são atacadas pela Carreta Furacão, como mostra uma gravação onde criaturas da não tão conhecida Assombração Nave da Alegria.




  Estamos longe de entender os mistérios sórdidos da Carreta Furacão e como conseguiremos nos prevenir desses demônios alucinados que estão à solta. Até lá podemos apenas testemunhas cada vez mais cada atrocidade presente no interior de São Paulo.

  Alguns breves vídeos de sobreviventes deixei para os mais fortes assistirem neste texto. O vídeo a seguir mostra os acontecimentos mais assombrosos, então peço que, caso já tenha se impressionado com os vídeos anteriores, NÃO ASSISTA O PRÓXIMO VÍDEO! Contém cenas fortes não recomendadas para menores de 18 anos, grávidas, idosos, cardiácos e cachorros (?).








André Bludeni

quinta-feira, 24 de março de 2016

Criticando Cinema: Batman vs Superman - A Origem da Justiça

  Já faz mais de uma década que os fãs de quadrinhos vêm sido presenteados com inúmeras adaptações cinematográficas de suas histórias preferidas, através, de cada vez mais, filmes de melhor qualidade, mais aprofundados nos personagens e fiéis aos produtos que já tanto amam.

  Todos sabem que a Marvel Studios vem expandindo seu universo cinematográfico e apresentando mais personagens, mais tramas interessantes, e tudo isso, sem perder seu jeito divertido e "pipoca" de cativar o público. Aprendemos a amar Capitão América, Thor, Iron Man e até o monstrão Hulk, mas os fãs da DC Comics não estão tendo o mesmo orgulho de seus super-heróis nas telonas. Bom, pelo menos até agora...

  Tirando a trilogia Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço (o qual não foram todos que gostaram), os filmes da DC Comics não existiam ou preferíamos que não existissem ( Sim Lanterna Verde, estamos falando de você!), mas a Warner Bros. Studios percebeu que eles possuem conteúdo suficiente para fazer um enorme Universo Cinematográfico com os heróis que possuem direitos tão bom, se não, melhores do que o da Marvel.


  A escolha de buscar o embate entre os dois heróis mais icônicos de todos os tempos para iniciar este universo não poderia ser melhor. Em uma produção de mais de três anos, Batman vs Superman - A Origem da Justiça é lançado com inúmera expectativas e muitos receios também de seu público alvo.

  O filme que teve um custo superior a 1 Bilhão de Dólares era um tiro no escuro pelo estúdio, pois trazia muitas incógnitas que poderiam fracassar drasticamente, e, consequentemente, afundar de vez o universo DC dos cinemas. Como reinventariam os heróis e o tom do filme? Era a hora certa de mudar o ator do Batman novamente? Existe a necessidade de inserir tanta trama e personagens em um único filme? Bom, senhoras e senhores, podem respirar bem aliviados, pois o tiro no escuro acertou em cheio!




  Para começar, precisamos lembrar que não estamos nos referindo a um filme Marvel, logo o tom realmente será mais soturno e "adulto" como a Warner preferiu colocar. E, realmente, isso não é um problema. O filme de super-heróis pode ter suas várias sub-categorias e em Batman vs Superman este lado obscuro caiu muito bem, especialmente por seguir fielmente a linha dos quadrinhos mais "darks".


  O primeiro receio do público era para a nova escolha do Bruce Wayne, que desta vez é interpretado por Ben Affleck. O antigo Demolidor finalmente se redimiu e faz um excelente trabalho nos mostrando um Batman atormentado pelas suas perdas familiares ( com direito a melhor versão da morte dos Waynes já feita), cansado de falsos moralismos e muito, mas muito truculento e violento. O Morcego carrega na porrada e não é pouco!




  Outro ponto foi a escolha de Gal Gadot como Mulher-Maravilha. A Amazona está presente e com cenas de tirar o fôlego. Além de ser inquestionavelmente linda, na hora que ela aparece em cena você já a vê como a Mulher-Maravilha oficial. Isso apenas se intensifica nas cenas de luta.




  Jesse Eisemberg também está brilhante com seu Lex Luthor surtado e psicótico, mas ainda falta uma coisa nele. O jeito de vilão e não simplesmente tão caricato. Obviamente, também temos de levar em consideração que o personagem ainda está em construção para ser definitivamente apresentado nas sequencias de filme.



  Apocalipse foi mostrado nos trailers e aquilo era um grande receio de que iria funcionar. Mesmo mudando bastante sua origem original, ele é um vilão aceitável e bem importante para a trama e para futuras sequências. Ele é o ponto exato para a Origem da Justiça. 

Obviamente o filme tem grandes erros, mas em um todo a coisa está bem construída e divertida. Prepare-se para ver mais uma vez um paralelo de Superman com o novo Messias, pois as comparações de Clark Kent de Henry Cavill com Jesus Cristo são explicitas e jogadas na sua cara. Desta vez temos também Bruce Wayne como o homem pecador, que procura redenção e tem dificuldade de aceitar o divino, uma força maior e o perdão. Agora fica a pergunta se realmente isso era necessário.




  Erros a parte, o mais brilhante fica com a direção de Zack Snyder. É visível que o diretor realmente gosta dos personagens e tem conhecimento do que está fazendo. Inúmeras referências dos quadrinhos estão lá, principalmente de dois títulos históricos ( O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller e outro que não citarei para não dar spoilers), mas também conseguimos ver que ele bebeu de outras fontes, como os antigos filmes dos heróis e até os games que fazem sucesso. As lutas de pancadaria pesada e com inúmeros inimigos é evidente que veio da série de games de Batman Arkham e os universos paralelos mencionados brevemente também são reflexos de Injustice: God Among Us.




  Falando em universos paralelos, podemos falar das aparições dos outros heróis que são breves, pontuais, muito boas e importantes para o futuro do universo cinematográfico. Apenas uma das cenas talvez deixe o publico não-fã de quadrinhos levemente confuso por realmente se tratar de universos paralelos, mas que com certeza, ao longo do crescimento do universo, entenderão bem do que se trata.
  Resumindo, Batman vs Superman irá agradar gregos e troianos, mas também irá fazer alguns torcerem o nariz. É uma obra de muita assinatura própria, até mesmo na trilha sonora surtada de Hans Zimmer. O filme também é um ótimo ínico para os filmes que irão surgir da Liga da Justiça, que por sinal deixa um enorme gancho para as continuações.



  Gostando de Deus ou do Homem, da Noite ou do Dia, do Morcego de Gotham ou do Filho de Krypton, este filme fará você vibrar muito com diversas cenas de ação, ótimos efeitos especiais, um bom enredo, e claro, por finalmente a DC Comics estar crescendo com o seu Universo dentro dos cinemas.






André Bludeni

quarta-feira, 23 de março de 2016

Neurônio Gastronômico: Burger Joint

  Famoso em Nova Iorque, a hamburgueria, Burger Joint, dentro do luxuoso hotel Le Parker Meridian na 119 West 56th Street , finalmente desembarca em São Paulo com sua primeira unidade na América Latina.
  A matriz gringa, além de trazer um estrondoso sucesso pela qualidade de seu lanche, é também muito famosa por ser excêntrica na decoração. Longe dos alvos dos turistas, o local é bem pequeno, escuro, todo rabiscado das paredes, mesas e até teto, e cheio de pôsteres antigos. Ao longo dos anos, o lugar “diferentão” e o bom hambúrguer foram aglomerando filas e filas de curiosos para provarem o lanche.
  Aqui, o ambiente foi trazido minuciosamente idêntico à loja nova iorquina, como bem quiseram o empresário Gui Chueire e o ator Bruno Gagliasso, sócios do novo negócio. Em menos de uma semana de sua abertura, boa parte do local já esta rabiscado (não se preocupem, pois sempre é possível encontrar um lugarzinho para deixar sua marca), o ambiente é escuro, pequeno, e até o menu de papelão no caixa está presente. Um investimento de mais de R$ 4 milhões para essa loja e outras duas que virão (uma já confirmada no Shopping Top Center a partir de 13 de Abril).
  O menu enxuto traz quatro opções de lanches: Hambúrguer (R$ 23), Cheeseburguer (R$ 25), Duplo hambúrguer (R$ 35) e o Duplo cheeseburguer (R$ 39). O sanduíche vem com dois tipos de queijos, cheddar e colby – típico da culinária americana -, ambos desenvolvidos exclusivamente para o Burger Joint, alface, tomate, cebola roxa, picles feito na casa, mostarda, ketchup e maionese. Para finalizar, o pão é desenvolvido pelo Santo Pão exclusivamente para a hamburgueria. Caso queira tudo, peça pelo The Works.
  Além dos lanches, os clientes também podem pedir as batatas fritas da casa, que saem por R$ 8. No cardápio de bebidas, refrigerante por R$ 5, milk-shake (nos sabores baunilha e baunilha com calda de chocolate por R$ 25 e Chopp Heineken por R$ 9).
  Mas vamos ao que interessa, a nossa crítica!
  Era uma noite de Terça-Feira perto das 20:00h quando visitamos o restaurante, um dia após a inauguração para o público em geral. Já havia uma pequena fila de espera, mas que com o tempo foi crescendo monstruosamente atrás de nós em pouquíssimos minutos. O atendimento (paga no caixa e pega ao lado, bem estilo fast food) teve pontos negativos e outros positivos. Todos os funcionários eram muito solícitos, mas parecia que ainda não estavam muito bem preparados para a estrondosa fama que teriam. Demorei mais de meia hora só para pegar nossos lanches e nesse meio tempo, vimos inúmeros pedidos errados serem trocados (inclusive o nosso) e muita atrapalhada na cozinha.
  Após longa espera, com os lanches em mãos e devidamente sentados, fomos experimentar a versão tupiniquim do lanche. As batatas fritas foram o ponto alto de tudo. Muito semelhante as fritas do McDonald´s, as batatas bem sequinhas, crocantes e salgadas vão criar inúmeros fãs, ainda mais por serem servidas dentro de um saquinho de papel ao estilo americano.

  O lanche que pedimos foi um The Works duplo (lógico, pois somos Ogros). Os discos de carne eram bem saborosos e ao ponto, todos os complementos estavam muito bem montados e devidamente frescos. Os molhos também foram colocados na medida certa. O ponto fraco foi o pão, pois não aguentava a suculência da carne e molhos e foi desmanchando na medida em que comíamos. Não pudemos deixar a oportunidade de deixarmos nossas marcas na mesa. São elas assinaturas com nossos sobrenomes, um desenho do Bart Simpson e um Cartman de South Park ( diga depois se acharam lá!)


  Os refrigerantes são servidos em copos de plásticos de 300mls genéricos da Coca-Cola, ou seja, você terá aquele refrigerante aguado que já estamos acostumados. Já o milk-shake é delicioso, pois estamos falando de sorvetes da famosa marca Bens & Jerry’s.

 Após sairmos do restaurante, uma leve pontada de desapontamento surgiu em nossas cabeças. Talvez pela grande expectativa, mas a conclusão que chegamos era de que a filial brasileira do Burger Joint não passava de um fast food disfarçado atrás do Hype glamoroso e descolado que criaram. Não deixa de ser um fast food típico americano, decente, mas com um preço um pouco mais salgado, limitando as visitas à apenas um núcleo de consumidores.

  Voltaremos ao Burger Joint depois que todo o bochicho de inauguração e modinha passarem, pois certamente a gigantesca fila e os escorregões no atendimento não valem o lanche razoável. Por enquanto a imagem que temos da loja na Rua Bela Cintra, 2.116, é de que é apenas uma cópia simples da grande matriz americana iluminada por holofotes demais. Vale como mais uma alternativa de hamburgueria em São Paulo, mas não espere o lanche mais espetacular de sua vida e sim um Burger King alternativo onde você pode brincar de rabiscar a parede.


André Bludeni

segunda-feira, 7 de março de 2016

Criticando Cinema: A Bruxa

  Não tem como negar que os filmes de terror, ultimamente, tem se desgastado com seus últimos lançamentos dentro da década que se veio. A onda do filme em primeira pessoa, logo após o estrondoso sucesso de Bruxas de Blair, acarretou em diversos outros lançamentos no mesmo estilo, como REC e a série Atividade Paranormal. O mesmo ocorreu com os estilos de zumbis e entidades sobrenaturais. Tudo se resume a cenas de sustos e violência explícita.

  Tendo isso em mente, A Bruxa saiu completamente da curva hollywoodiana e fez enorme sucesso em festivais de cinema ao longo do mundo.

  Roger Eggers  e a produtora brasileira RT Features, o filme acompanha uma família de colonos ingleses se estabelecendo na Nova Inglaterra, nos EUA, no século XVII.

  Banidos da plantação onde viviam depois de um julgamento, os puritanos William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) partem em direção ao interior inóspito da região levando seus filhos e poucos pertences. A clareira às margens de uma floresta onde se estabelecem, porém, não demora a dar sinais de que há uma força sombria trabalhando no local, especialmente quando a filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), perde o bebê da família inexplicavelmente. Outros sinais vêm a seguir, envolvendo os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), além do filho do meio Caleb (Harvey Scrimshaw), determinado a ajudar seus pais durante sua provação.


  Trabalhando bastante com o terror psicológico, A Bruxa descarta assombrar o público com os clichês de diminuição de música, sustos e jorros de sangue, e utiliza muito do clima depressivo e assombroso para prender a atenção de quem assiste. Deste modo, o longa, de pouco mais de uma hora e meia, chega se tornar monótono e com poucas cenas de clímax que realmente aterrorizem o público em geral. O foco realmente ficam nas poucas cenas onde a Bruxa aparece, muito mais desconcertando quem assite com cenas “chocantes” e “macabras”, do que realmente os assustando.

  O curioso acontece após o filme acabar, pois enquanto os comentários na maioria dos filmes de terror é do público rindo e dialogando animados sobre as cenas que se assustaram, A Bruxa entregou um público completamente cabisbaixo e depressivo. Não pelo fato do filme ser ruim, mas por realmente a energia do filme ser pesada a ponto de chocar.



  Perguntas como “Por quê raios assisti esse filme?”, “Como alguém pode ter ficado semanas ou meses filmando isso?”, “Isso tudo era necessário?” e “E agora? Como fica tudo isso?” ficavam batendo na cabeça das testemunhas que presenciaram o conto da Nova-Inglaterra em formato cinematográfico.



André Bludeni