Não tem como negar que os filmes de terror, ultimamente, tem
se desgastado com seus últimos lançamentos dentro da década que se veio. A onda
do filme em primeira pessoa, logo após o estrondoso sucesso de Bruxas de Blair, acarretou em diversos
outros lançamentos no mesmo estilo, como REC
e a série Atividade Paranormal. O
mesmo ocorreu com os estilos de zumbis e entidades sobrenaturais. Tudo se
resume a cenas de sustos e violência explícita.
Tendo isso em mente,
A Bruxa saiu completamente da curva
hollywoodiana e fez enorme sucesso em festivais de cinema ao longo do mundo.
Roger
Eggers e a
produtora brasileira RT Features, o filme acompanha uma
família de colonos ingleses se estabelecendo na Nova Inglaterra, nos EUA, no
século XVII.
Banidos
da plantação onde viviam depois de um julgamento, os puritanos William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) partem em direção ao
interior inóspito da região levando seus filhos e poucos pertences. A clareira
às margens de uma floresta onde se estabelecem, porém, não demora a dar sinais
de que há uma força sombria trabalhando no local, especialmente quando a filha
mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy),
perde o bebê da família inexplicavelmente. Outros sinais vêm a seguir,
envolvendo os gêmeos Mercy (Ellie Grainger)
e Jonas (Lucas Dawson), além do
filho do meio Caleb (Harvey Scrimshaw),
determinado a ajudar seus pais durante sua provação.
Trabalhando bastante com o terror psicológico, A Bruxa descarta
assombrar o público com os clichês de diminuição de música, sustos e jorros de
sangue, e utiliza muito do clima depressivo e assombroso para prender a atenção
de quem assiste. Deste modo, o longa, de pouco mais de uma hora e meia, chega
se tornar monótono e com poucas cenas de clímax que realmente aterrorizem o
público em geral. O foco realmente ficam nas poucas cenas onde a Bruxa aparece,
muito mais desconcertando quem assite com cenas “chocantes” e “macabras”, do
que realmente os assustando.
O
curioso acontece após o filme acabar, pois enquanto os comentários na maioria
dos filmes de terror é do público rindo e dialogando animados sobre as cenas
que se assustaram, A Bruxa entregou um público completamente cabisbaixo e
depressivo. Não pelo fato do filme ser ruim, mas por realmente a energia do
filme ser pesada a ponto de chocar.
Perguntas como “Por quê raios assisti esse filme?”, “Como alguém pode
ter ficado semanas ou meses filmando isso?”, “Isso tudo era necessário?” e “E
agora? Como fica tudo isso?” ficavam batendo na cabeça das testemunhas que
presenciaram o conto da Nova-Inglaterra em formato cinematográfico.
André Bludeni



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