Me admira o fato de como o homem possui uma memória frágil e curta. O fato de o ser humano ser a presa, mas em questão de minutos tornar-se um predador sem escrúpulos.
Em um passado não tão distante eu já fui essa presa. Visto pelo olhar da sociedade como algo que beirava o repulsivo. Uma figura deslocada no quebra-cabeça definido pelo belo através de uma forma monstruosa e desvirtuosa.
Mesmo sendo uma presa nunca deixei ser destroçado pelas críticas, comentários e ataques. Me camuflava de certa forma em um predador, chegando até a ter dúvida de fato de quem realmente era o verdadeiro monstro.
Muitos gostavam de mim, sem dúvida, mas nunca assumiam tal afeto perante ao resto do mundo. Talvez por medo de se tornarem um novo alvo junto a criatura bizarra que assumiriam ao seu lado.
No fundo do abismo mais escuro e frio, a depressão era o único "conforto" que me abraçava dentre lágrimas silenciosas e gélidas. O destino já estava traçado e aceito sem discordância de nenhuma passagem.
Mas foi então que sua mão se estendeu! Uma mão quente, confortável e iluminada de um vermelho admirável, encantador, hipnotizante. Uma pessoa que me via além da carne, além da máscara, me via por inteiro e verdadeiro. Conseguia me enxergar por trás do monstro que todos evitavam e fugiam.
Ao lhe segurar os dedos também vi que além do seu sorriso, havia uma tristeza inconsolável, uma solidão tão fria quanto a minha dentro de uma depressão talvez mais profunda. A beira de se transformar mais uma criatura odiosa, abracei o novo destino predestinado e juntos enfrentamos as mais terríveis muralhas que um ser poderia. Fomos além dos olhares e críticas e voltamos, juntos a ser mais uma parte da sociedade, nos completando juntos, nos tornando dependentes um do outro, através de um quente calor amoroso de confiança, prazer, afeto...puro!
Com o tempo fomos nos igualando ao resto, mas o seu medo de voltar para as trevas continuava. O medo de ser anulada pelo meu novo ego, pela minha nova confiança, por ser trocada por aqueles que um dia me esnobaram e me menosprezaram.
Posso estar "diferente", mas continuo sendo aquele monstro recuado, aquele monstro internamente desacredito de todos, menos de você, pois um dia lhe fez se apaixonar, o monstro que você guiou e mostrou a felicidade que ele nunca mais achou encontrar.
Jamais esse monstro esquecerá a luz reconfortante e vermelha que o trouxe a esperança novamente. Jamais ele deixará as novas tentações o cegarem e abafarem o grito de quem realmente o viu como uma pessoa amável.
Jamais esse monstro esquecerá! Jamais eu esquecerei de você, meu amor!
André Bludeni

Nenhum comentário:
Postar um comentário