Todos moradores do meu prédio e ainda amigos dividiam dessas fantasias infantis que todos já vivenciaram em uma época da vida, mas a minha preferida vinha a noite, depois de ter jantado e estar de banho tomado pronto para me deitar
Minha mãe, tendo além de mim, um garoto eufórico e muitas vezes ansioso e sem controle, também tinha meu irmão com características bem semelhantes. O método que ela arranjou para nos acalmar e ter sossego, sem ela saber, era a melhor das brincadeiras.
As luzes se apagavam em um tom de mistério, nossos pequenos corpos ficavam confortáveis deitados em sua enorme cama, o cheiro de insenso começava a se exalar e aos poucos a música vinha...Enya era a trilha sonora dos melhores sonhos que eu já tive.
Com cantos angelicais e tons celtas, eu mergulhava em um sonho mágico e cheio de fantasia onde meu corpo perdia total peso e voava junto com fadas atrás de dragões, elementais que se escondiam atrás de grandes árvores fosforescentes e elfos com duendes brincavam perto de riachos brilhantes.
Esses sonhos duravam o período de duas ou três músicas antes de irmos dormir, mas nas nossas mentes eram uma infinidade única e mágica, a melhor diversão do dia onde o propósito era exatamente o oposto do que as brincadeiras de tarde proporcionavam, a euforia.
Hoje em dia, quando poucas vezes ouço Enya, consigo ter um leve resquício desses momentos mágicos que tinhamos na infância, onde podemos ser quem quisermos, fazer o que desejamos sem nos importarmos com o amanhã e corrermos neste mundo cheio de alegria e fantasia da maneira que quisermos.
Obrigado mãe, por me fazer a aprender a sonhar do jeito mais puro.

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