quinta-feira, 17 de julho de 2014

Aprendendo a Sonhar

Eu sempre fui uma criança agitada na minha infância. Passava horas e horas correndo e sempre curioso com o novo. O pátio de 300 metros quadrados do meu prédio se transformava nas minhas brincadeiras em campos de guerra da 2ª Guerra Mundial, safaris de pokémons, grandes caçadas de policiais contra bandidos, templos de grandes guerreiros orientais e até espaços destruídos para lutas épicas de super-heróis contra vilões. 


Todos moradores do meu prédio e ainda amigos dividiam dessas fantasias infantis que todos já vivenciaram em uma época da vida, mas a minha preferida vinha a noite, depois de ter jantado e estar de banho tomado pronto para me deitar

Minha mãe, tendo além de mim, um garoto eufórico e muitas vezes ansioso e sem controle, também tinha meu irmão com características bem semelhantes. O método que ela arranjou para nos acalmar e ter sossego, sem ela saber, era a melhor das brincadeiras.

As luzes se apagavam em um tom de mistério, nossos pequenos corpos ficavam confortáveis deitados em sua enorme cama, o cheiro de insenso começava a se exalar e aos poucos a música vinha...Enya era a trilha sonora dos melhores sonhos que eu já tive. 

Com cantos angelicais e tons celtas, eu mergulhava em um sonho mágico e cheio de fantasia onde meu corpo perdia total peso e voava junto com fadas atrás de dragões, elementais que se escondiam atrás de grandes árvores fosforescentes e elfos com duendes brincavam perto de riachos brilhantes.

Esses sonhos duravam o período de duas ou três músicas antes de irmos dormir, mas nas nossas mentes eram uma infinidade única e mágica, a melhor diversão do dia onde o propósito era exatamente o oposto do que as brincadeiras de tarde proporcionavam, a euforia.

Hoje em dia, quando poucas vezes ouço Enya, consigo ter um leve resquício desses momentos mágicos que tinhamos na infância, onde podemos ser quem quisermos, fazer o que desejamos sem nos importarmos com o amanhã e corrermos neste mundo cheio de alegria e fantasia da maneira que quisermos.

Obrigado mãe, por me fazer a aprender a sonhar do jeito mais puro.





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