sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Criticando Cinema - O Hobitt: A Batalha dos Cinco Exércitos

  Foi em 2003 que todos acreditavam ter conhecido por completo a Terra-Média e suas histórias com o lançamento de Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, mas, mais de dez anos depois e com mais uma trilogia na bagagem, descobrimos que existe muita mais coisa que queremos ver nas telonas do cinema sobre este mundo que Tolkien nos trouxe.




  Em O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos temos a conclusão das aventuras de Bilbo Bolseiro, Thorin, Escudo de Carvalho e o restante da Companhia dos Anões, e junto vem um gostinho de "quero mais", pois para os fãs é difícil se despedir de uma saga tão completa e tão inovadora.

  Prometido como o "Último Capítulo da Terra-Média", este terceiro filme do Hobbit se baseia basicamente na batalha do título onde cinco exércitos lutam pela riqueza e localização que a Montanha Solitária possui. Infelizmente temos apenas 15 minutos de cenas com o magnífico dragão Smaug, onde a tecnologia chegou a um ponto que dificilmente me surpreende no cinema ( sem mencionar o vozeirão de Bennedict Cumberbath).





  O trabalho de todos os atores é impecável, principalmente de Richard Armitage no papel de Thorin encenando a Doença do Dragão e sua loucura vindo a tona, como também, a de Martin Freeman e seu Bilbo Bolseiro de comédia inocente. Devemos lembrar também como é bom ver Ian Mckellen interpretando Gandalf, o Cinza, mas nem tudo é uma "Pedra Arken", pois personagens tão interessantes como Legolas e Tauriel fazem uma participação péssima, com diálogos vergonhosos e um triângulo amoroso desnecessário, como a participação pífia de Galandriel, Saruman e Elrond que só valeu os cinco minutos pela salvação tecnológica no resgate ao mago cinza e o desperdício de cenas mais aprofundadas com Dain, Pé de Ferro, um personagem de peso na série que apenas se resumiu no filme como um martelo esmagador de orcs.




  Muito se perguntou se um livro de 300 páginas era necessário ser representado nos cinemas em três filmes de duas horas e meia e a resposta é NÃO. É indiscutível que o terceiro filme da série é uma obra de arte no quesito de imagem, tecnologia e ação, mas para os fãs de Tolkien faltou história para este capítulo decisivo que se resumiu apenas em batalhas e uma necessidade absurda de vincular Hobbit com o Senhor dos Anéis. O Hobitt não é Senhor dos Anéis! São estórias independentes  que possuem apenas poucos pontos de ligação, mas obviamente o mercado cinematográfico não perderia a oportunidade de vincular um sucesso a outro. O Resultado é uma menção exagerada a Sauron que não leva a lugar nenhum, Legolas ( um personagem que nem ao menos aparece no livro) se tornar um dos protagonistas do filme e aparições de figuras iconicas da primeira trilogia apenas como um imã do dinheiro alheio para assistirem os novos filmes.




  Independente das críticas e este terceiro filme estar abaixo de A Desolação de Smaug, o diretor Peter Jackson pode respirar aliviado, pois concluiu sua missão e com louvor. Trouxe o impossível e o que apenas vivia nas cabeças dos leitores para o cinema em versões que ficarão para sempre na história. Ele transcendeu e trouxe o sonho de muitas para a vida real não importando a qualidade das histórias contadas.

  Como título da música tema do filme cantada por Billy Boid (o Pippin da trilogia Senhor dos Anéis que já tinha mostrado seus dotes musicais na trilogia com Edge of Night), nós damos o nosso The Last Goodbye e deixamos homens, elfos, hobbits e orcs descansarem até alguém decidir daqui dez ou quinze anos adaptar o Silmarillion para os cinemas.


Veja aqui o clipe de The Last Goodbye:












André Bludeni

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