quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Neurônio Gastronômico: Cão Véio

  Nada melhor do que comemorar o aniversário de uma médica veterinária do que em um bar/restaurante chamado Cão Véio, feito em uma pequena casa escondida entre os prédios do bairro de Pinheiros. Essa foi a escolha de minha amiga para celebrar seus vinte e três anos.

  Localizado na Rua João Moura, 871, o local traz traços hardcore e outras vertentes do rock que reverberam pelo salão. Afinal, o endereço é tocado por um trio bem ligado ao gênero: o músico Badauí, vocalista do CPM22, o promoter Kichi, que já trabalhou para o Sepultura, e o chef Henrique Fogaça, vocalista da banda Oitão — porém, mais conhecido por seu trabalho no restaurante contemporâneo Sal e, mais recentemente, por participar do programa televisivo MasterChef Brasil. Fogaça também responde pelas receitas daqui, cheias de sabor. 


                           



  As referências caninas se estendem ao salão, cheio de quadros de cachorros. Completam a decoração lustres de estilo antigo, sofás de couro preto e pufes vermelhos. Ali, o público bebe cerca de cinquenta rótulos bacanas de cerveja e alguns chopes, caso do belga de trigo Vedett, esta escolhida pela a aniversariante do dia.

  Badauí nos recebeu pessoalmente muito bem, o que de certo modo compensou a espera de 40 minutos para sentarmos. Para nossa analise, foi nos aconselhado pelo sócio, fazermos um tour pelas porções bem servidas no local. Logo escolhemos seis delas que ficam na seção Cão Gordo.


  Começamos com o Bom Pra Cachorro, bolinho de arroz com pimenta dedo de moça e parmesão, acompanhado de tomate picante. Muito saboroso e bem macio, infelizmente só vinham seis unidades e a vontade era de comer mais vinte.


                        

  Nós seguimos com o Do Cão, linguiça acebolada com tomate cereja e rúcula, acompanhava pão. Para mim, este foi o melhor prato, pois existe uma deliciosa mistura do tomate e a cebola que diminuía o gosto pesado da própria linguiça, deixando ele mais suave e refrescante para uma noite de verão que era o caso.

                             


  O Fila Brasileiro não ficou pra trás, já que é o Campeão de vendas do Cão Véio que traz filet mignon empanado na farinha Panko, recheado com queijo gruyere e gorgonzola. Realmente uma delícia, pois a carne era de primeira e o recheio muito saboroso e bem servido.

                         


  O Beagle eram batatas rústicas com alho, alecrim e mostarda, que além de bem servidas, vinham fresquinhas, macias por dentro, crocantes por fora e bem sequinhas. Apenas faltou um pouco mais de mostarda para mergulharmos essas gostosuras fritas e bem temperadas.

  Seguimos para o Zorro, que era mignon em tiras salteado em óleo de gengibre, tomate pelado, beringela, cebola roxa, pimenta dedo de moça, coberto com gruyere. Acompanhava pão. Infelizmente, este para mim, foi um prato que deixou um pouco a desejar. Estava com pouco gosto e pouco temperado. Apenas sentia-se o gosto da pimenta que poderia ser descartada.

  Por fim experimentamos o Husky SiberianoLula tostada com alho, tomate, salsa e pão. De se comer ajoelhado, pois além de saborosa não veio borrachuda como as lulas que a maioria dos restaurantes oferecem.



  Ainda experimentamos duas sobremesas, Dama e Vagabundo. A primeira eram cookies de chocolate, sorvete de baunilha/chocolate, calda de chocolate e pralinè de castanhas. A segunda, uma rabanada de brioche com creme inglês de Jack Daniel’s e compota de abacaxi. Elas eram muito gostosas, servidas na porção ideal e bem originais, mas a espera de mais de meia hora para servi-las ( diferente dos pratos que teve uma agilidade impressionante) fez a "experiência doce" ficar um pouco abaixo do esperado.


                         

  O local, pelo o que parece, agora está bombando por causa do sucesso do MasterChef, mas pelo o incrível que pareça ele estava bem frequentado. Eram pessoas que estavam realmente interessadas no local e na comida, e não no sucesso que Fogaça trouxe para o restaurante. A uma mesa do lado estavam recebendo a ilustre visita da cantora Pity e do seu namorado, baterista do Nx Zero, Daniel Weksler. Levando em consideração o ambiente, a localização, o ótimo atendimento e a comida maravilhosa, eu pretendo voltar várias vezes ao Cão Véio e encarar a espera.


André Bludeni e Arthur Chahda

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