"Disney voltando aos tempos de glória"
Qualquer pessoa com mais de dezoito anos lembra como eram fantástico e esperados as animações da Disney Studios nas férias de verão. Não é toa que se chamavam Clássicos Disney já que sempre as histórias eram de uma maestria ímpar e os detalhes das técnicas de desenho encantavam tanto crianças como adultos.
Essa expectativa caiu junto com a qualidade dos desenhos da Disney do começo dos anos 2000 onde filmes foram lançados a rodo com a técnica de computação gráfica e a empresa do Sr. Walt esqueceu que muitas vezes a animação ganha pela história e não pelos efeito especiais. Quer lembrar filmes que praticamente todos nem ao menos lembram que foram lançados pela Disney Studios? O Galinho Chicken Little, Bolt, A Família do Futuro! Todos esses forma filmes que além de terem uma história mediana foram um fracasso de bilheteria.
A Disney só respirou aliviada com Enrolados e A Princesa e o Sapo, que aí fez a montanha-russa de sucessos voltar a subir com Detona Ralph e chegar ao pico novamente com Frozen e dois Oscars no bolso em 2014. Mas a pergunta que não queria calar era se a Disney teve uma maré de sorte ou realmente tinha voltado aos tempos dourados. Com Operação Big Hero, era gigantesca a pressão para cima do produtor Roy Conli e os diretores Don Hall e Chris Williams. Além de provar a eficiência e a nova e sofisticada Walt Disney Studios, a pressão também estava em fazer uma animação com personagens baseados em personagens da Marvel( muito diferentes dos quadrinhos, por sinal).
A história acompanha, na cidade high-tech de San Fransokyo, o prodígio da robótica Hiro Hamada que vê a paz local ser ameaçada por forças poderosas por um super vilão e, acompanhado pelo robô Baymax, se une a um time de combatentes inexperientes determinado a enfrentar os inimigos e salvar o paraíso futurista da destruição.
Hiro e seu irmão Tadashi são órfãos criados pela tia. Os dois são nerds apaixonados por robótica. Tadashi, o mais velho, estuda na mais renomada universidade de tecnologia da cidade - e nas horas vagas faz de tudo tirar o caçula das confusões que se mete quando resolve participar de rinhas de robôs.
Sabendo do potencial do pequeno Hiro, Tadashi o leva até o seu laboratório, e lá apresenta seus colegas Honey Lemon (expert em química), Go Go Tomago (especialista em física), Wassabi (aficcionado por organização e lasers) e Fred (viciado em quadrinhos, bagunça e mascote da faculdade). É neste momento que conhecemos também Baymax, última invenção de Tadashi, um robô-enfermeiro que reconhece problemas de saúde ou psicológicos e faz de tudo para curá-los.
Não tem como não se recordar de Os Incríveis e suas super aventuras, mas em Operação Big Hero existe uma simplicidade e um companheirismo diferente do que nos é mostrado com o filme da Pixar. A relação de Hiro e Baymax vira algo muito além de mestre e discípulo, ou, dono e objeto. Ao longo do filme a relação de irmão começa a se criar e se fortificar.
O foco, com toda a certeza, fica com o robô Baymax, pois a cada aparição nas telonas o povo vai ao delírio o chamando de "fofo", "lindo" e "engraçadinho", mesmo porquê seu design foi programado para isso. Para os fãs de muita aventura irão gostar do vilão com a máscara Kabuchi que tem a essência de um super vilão da Marvel com pose e tudo mais. Outro crédito vai para a cidade criada para a animação, São Fransokyo, que é toda cheia de mínimos detalhes que combinam as duas cidades do nome feita em uma prepação para o filme com mais de um ano.
Fica difícil fugir da versão em português com quase toda a rede de cinemas apresentando o filme em versão dublada, mas realmente voce não sentirá aquele desconforto habitual, pois a direção de dublagem foi feita com muito cuidado para o público voltar a assistir estes filmes no jeito Clássico Disney. Você só irá se dar conta que ouvia Marcos Mion, Kéfera Buchman, Fiorella Matheis e Robson Nunes nos papéis principais quando ver seus nomes nos letreiros ao final do filme.
Para os fãs da Marvel e super-heróis é muito legal ver os poderes de cada membro da equipe, e ao melhor estilo Marvel Studios, espere o final dos letreiros para a clássica cena pós-créditos.
Talvez não tenha toda o feminismo que Frozen trouxe, mas Operação Big Hero, um filme um pouco mais para meninos, mostra que realmente a Disney voltou aos tempos áureos e mais, que a co-produção Marvel e Disney vai muito além de filmes live-action e que veio para ficar.
André Bludeni







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