quarta-feira, 10 de setembro de 2014

iPhones 6: dois pesos, duas medidas.



Steve Jobs deve estar dando voltas em seu túmulo até agora, depois que viu o projeto de sua Apple para o novo iPhone, apresentado mundialmente na data de ontem. O modelo é o que Jobs definiria como “render-se a pressão do mercado e das empresas concorrentes”, isso porque, todos sabemos o quanto o criador da Apple insistia na criação e desenvolvimento de produtos inovadores e que fariam o público delirar pelo simples fato de possuir a novidade. Não é mentira que os novos iPhones já fazem muita gente delirar, mas será que essa evolução representa os ideias estabelecidos por Jobs quando criou a Apple?



A resposta para essa pergunta pode ser ambígua. Existem aqueles que defenderão que o novo gadget da empresa é uma mera adequação as vontades da sociedade, portanto, a adaptação de uma empresa ao mercado; mas haverão também aqueles que defendem com unhas e dentes aquilo que Jobs pregava e que há tempos já foi deixado de lado pelos atuais dirigentes da empresa de Cupertino.

E qual será o motivo dessa discussão? Muitos sabem que Jobs foi, sempre, a última palavra em todos os assuntos de sua companhia e que após sua morte a empresa entrou em um lapso criativo tão grande e ao mesmo tempo tão silencioso que pode levar ao fim da Apple.

Deixando de lado a discussão sobre o futuro da empresa da maça, vejamos o que o novo modelo apresenta, aliás, os novos modelos.

A Apple, pelo segundo ano consecutivo optou por lançar 2 novos modelos de celular, uma versão mais acessível e outra, a topo de linha. Tal estratégia teria a função de abarcar mercados maiores, inclusive os de países emergentes, com um iPhone mais barato. Essa estratégia foi adotada em setembro de 2013, com o lançamento dos iPhones 5C e 5S (essa foi uma decisão que ao ver de grandes especialistas jamais seria tomada por Jobs se ele ainda estivesse vivo), e foi aderida novamente pela empresa em 2014. Vejamos os aparelhos:

Trata-se do iPhone 6 e 6 Plus, a nova geração de iPhones, apresentada em dois tamanhos diferentes: 4.7 e 5.5 polegadas. A grande questão é que durante muito tempo a Apple argumentou que telas maiores são de difícil manipulação, o que para um telefone é essencial. Essa ideia era quase um mantra que explicava a resistência da Apple ao aumento da tela (mais um motivo para Jobs estar se revirando no túmulo agora).




Ainda, a política de Jobs era que a empresa não deveria perguntar aos usuários o que eles queriam, porque, para ele, na maioria das vezes eles não sabem o que querem. O objetivo seria criar coisas que o consumidor nem sabia que existia, mas que ficasse desesperado para comprar assim que conhecesse. Infelizmente a Apple não disponibiliza mais de Jobs, que era capaz de imaginar produtos que mudavam a nossa vida.
A Apple, agora sob o comando de Tim Cook, faz questão de perguntar o que o consumidor quer (provavelmente após algumas pesquisas de mercado apontando que, atualmente, a demanda por smartphones de telas maiores é realmente grande). Os defensores da tela maior diz que é muito melhor para navegar, ver vídeos, curtir jogos, etc.
Essa preocupação com tamanho já cerca a Apple desde o lançamento do iPhone 5, mas naquele tempo em vez de realmente aumentar a tela, ela simplesmente a esticou, deixando as tradicionais telas de 3.5 polegadas para as de 4. Tal estratégia não resolveu de fato a questão, uma vez que não satisfez de fato os consumidores que almejavam uma tela realmente maior. Nesse tempo, vale lembrar, que as piadas tomaram conta da intenet.



De resto, os novos iPhones comprovaram tudo aquilo que a imprensa especializada internacional já havia confirmado por meio de rumores. A globalização e a produção do iPhone em território chinês compõem a fórmula perfeita para o vazamento de diversas informações,  que por fim vieram a se confirmar na data de ontem pela matriz com sede na Califórnia.

Melhorias na conexão do wi-fi e conectividade 4G; melhorias na câmera fotográfica; dispositivo para pagamentos com digital e interatividade com o também recém lançado Watch, o relógio da Apple, também revelado ontem pela empresa, são algumas das novidades dos dois novos modelos. Mas sobre esse último, com certeza o assunto tomará as discussões em redes sociais, e, pelo tom do texto acima, parece que Jobs vai continuar rolando em seu caixão...





Arthur C. Chahda


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