quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Criticando Cinema: Cinquenta Tons de Cinza

  A Saga Crepúsculo no cinema, mesmo com toda o sucesso entre as adolescentes ( e algumas mães), era a idealização do homem perfeito. Tanto o livro, como o filme, Cinquenta Tons de Cinza buscam a mesma imagem do homem ideal, mas para as mulheres mais maduras. O homem bonito, gostoso, bilionário, culto, bom de cama e super-protetor. Como se existisse um pacote desse em qualquer pessoa de qualquer sexo...


  Estamos em Seattle, a chuva é o que mais abunda. Anastasia conhece o rico Christian Grey (Jamie Dornan) e passa a ser perseguida por ele. Mistura de Bruce Wayne com Rei do Camarote, Christian quer acabar com a fome na África e diz que não faz amor e sim "fode, com força". Anastasia não cai na gargalhada diante de Christian, embora Dakota Johnson visivelmente contenha o riso em cena, mordendo os lábios.


  O sociopata e a sonsa, em 120 minutos de dança do acasalamento. Essa dinâmica se repete durante todo Cinquenta Tons de Cinza, um filme sem final cuja trama magra parece servir tanto a uma trilogia de seis horas quanto as parcas 300 páginas de O Hobbit.

  O que faltou para a adaptação do longa foi tratar de sexo sem perigo, sem perversão, um sexo que não suja e não ofende, sempre demarcado pelo close-up no rasgar do pacote da camisinha, ação que a câmera da diretora Sam Taylor-Johnson registra com a pontualidade de uma transa agendada. Se há uma obscenidade aqui, são os pêlos pubianos "vintage" de Dakota Johnson (atriz que desde o começo, ademais, nos engana com sua falsa displicência).


  Infelizmente, se a procura do filme era a procura do proibido e do libidinoso, a adaptação do livro fica muito a desejar, ficando bem abaixo dos polêmicos Ninfomaníaca e A Secretária que tratam realmente o sadomasoquismo como uma libertação e até como uma descoberta de si mesmo.
  O filme se conclui como um romance de começo de ano com cenas de sexo a mais.







André Bludeni

Nenhum comentário:

Postar um comentário