domingo, 8 de fevereiro de 2015

Criticando Cinema: Destino de Júpiter

    Em uma fase em que a ficção científica precisa ser completamente realista ao estilo Christopher Nolan, onde cada acontecimento tem uma minuciosa explicação, os irmãos Wachowski sempre se diferenciaram e foram além da sua era com filmes como a trilogia Matrix, A Viagem, V de Vingança e Speed Racer.

  Os acontecimentos em si não fazem sentido nenhum, mas em um contexto eles trabalham com uma maestria orquestrada no melhor estilo da fantasia. Com O Destino de Júpiter, essa sincronização bizarra é a mais evidente dos irmãos visionários.


  A trama combina Cinderela com Final Fantasy para contar a história de Jupiter (Mila Kunis), filha de imigrantes que trabalha de faxineira em Chicago e nem suspeita ser a reencarnação da rainha de uma das dinastias mais poderosas do universo. Na sua disputa por poder, os três herdeiros dessa rainha descobrem Jupiter na Terra, e começa a caçada pela donzela. Cabe a Channing Tatum fazer uma versão X-Games do tradicional príncipe-no-cavalo-branco: um mestiço albino de terráqueo com lobo que anda sobre patins invisíveis.


  Com explosões lindas nos prédios de Chicago, naves espaciais megalomaníacas e criaturas descaradamente inspiradas em animes, O Destino de Júpiter nos transporta para um novo mundo em que perdemos a noção do real e não ficamos preocupados com isso, tudo faz "sentido". A comédia, no entanto, não é o ponto forte do filme, mesmo com os dois protagonistas sendo figuras atuais da comédias ( inclusive do humor negro). A encenação do casal parece ser zumbificada nos momentos de humor dando a impressão que a prioridade deles é realmente deslizar por prédios e atravessar explosões pendurados e monstros alados. O ponto alto do humor fica n burocrático sistema que Júpiter precisa passar para ser considerada membro da realeza. Uma leve sátira ao nosso sistema de como achamos que as coisas "funcionam".


  Infelizmente a participação do grande ator Sean Bean fica limitada ao seu personagem fraco, tanto na importância do filme como na atuação, logo sua expectativa com o ator durante o filme é se vai ser mais um longa em que o ator encenará uma morte. Em contrapartida, Eddie Redmayne mostra um excelente vilão, Balem, cheio de eloquência e veracidade nas atuações. Não é mais o mocinho de Os Miseráveis e sim o grande ator de A Teoria de Tudo.


  Indo no caminho inverso de Interestelar, O Destino de Júpiter pode fazer você se questionar em vários pontos após a sessão de cinema, mas com toda a certeza mostra quão além de fase os Wachowski estão e como seus filmes, mesmo completamente loucos, são ótimos!


André Bludeni

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