O que diferencia um música bom para um músico sensacional? Em Wiplash - Em Busca da Perfeição, a resposta está não no dom, mas sim na dedicação e no esforço de quem quer alcançar o sucesso.
No drama musical escrito e dirigido por Damien Chazelle, Milles Teller (o novo Sr. Fantástico do cinema) vive um baterista de jazz que frequenta uma das melhores escolas de música do mundo. Apaixonado pelo instrumento e desejando ser "grande", ele abraça na primeira oportunidade a chance de trabalhar ao lado do temido maestro Fletcher ( J.K. Simmons) em sua prestigiada banda.
O professor, porém, tem métodos peculiares, especialmente aos olhos superprotetores do mundo de hoje. E não tarda para que sangue e suor, literalmente, comecem a encharcar a bateria enquanto o novato é humilhado de inúmeras maneiras em prol da virtuose.
O filme chega a ter cenas claustrofóbicas tanto nas horas de solo de bateria como aos ataques de Fletcher, que traz Simmons em um dos melhores trabalhos de sua carreira, alternando seus estados emocionais e mantendo o público eternamente incerto de suas intenções. E Teller acompanha à altura, transformando-se ao longo do filme.
Sobre a trilha sonora, é uma obra-prima no jazz, coisa que raramente vemos hoje em dia e apenas se confirma com cada CD de jazz lançado pelo Starbucks ( como o próprio filme alega).
Sobre a trilha sonora, é uma obra-prima no jazz, coisa que raramente vemos hoje em dia e apenas se confirma com cada CD de jazz lançado pelo Starbucks ( como o próprio filme alega).
Ao final, Whiplash surpreende ao falar abertamente sobre como a grandeza só pode florescer com esforço - e que muitas vezes empurrões são mais necessários que tapinhas nas costas. "A pior coisa que aconteceu para o mundo foi essa de ter que elogiar um bom trabalho. Não é a toa que o jazz está morrendo", racionaliza o professor, lamentando que para essa música a transgressão marginal é necessária, o "sangue nos olhos". Na visão de Chazelle, o exagero do politicamente correto em todos os níveis da sociedade merece uns tapas na cara pra criar coragem.
André Bludeni




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