A atmosfera de mitos alimentada pela falta de informações do Ocidente sobre os norte-coreanos - e a forma distorcida sobre como a mídia mostra o país - é a pedra fundamental do filme. Os dois protagonistas trabalham nessa indústria: Aaron Rapoport (Seth Rogen) é o produtor do talk show de Dave Skylark (James Franco), que fatura audiência em cima de entrevistas bombásticas com celebridades.
Insatisfeito com seu trabalho, Rapoport vê uma chance de mudar a vida ao descobrir que o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, é fã do programa de Skylark. Por um milagre, ele consegue uma entrevista com o ditador e vira alvo de piada de toda a mídia política norte-americana. Os únicos a não fazerem troça com eles são a CIA, que quer aproveitar a oportunidade para assassinar o comandante norte-coreano.
Quem realmente impressiona é o próprio Jong-un, interpretado por Randall Park. As cenas feitas com Franco, como o jogo de basquete e o passeio de tanque, mostram com convicção uma amizade absurda através de situações e diálogos completamente "nonsense", tudo isso por uma admiração que o ditador norte coreano tem pelo apresentador de talk-show que acaba se tornando uma grande amizade.
No final das contas, A Entrevista é mais um bom e decente filme de comédia co-escrito pela dupla formada por Rogen e Evan Goldberg, como Superbad - É hoje (2007), É o Fim(2013) e o ótimo Segurando as Pontas (2008) com piadas hilárias sobre sexo, drogas e coisas escatológicas, mas após assisti-lo terá a percepção de que ele realmente só será lembrado pelo barulho todo que criou mundialmente.
Kim Jong-un só provou ser, mais uma vez, um grande beberão chorão que não suporta um leve bullying.
André Bludeni





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