sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Criticando Cinema - Birdman ou ( A Inesperada Virtude da Ignorância)

  Filmes de Super-Heróis é algo que hoje em dia virou um febre sem data para terminar. Os heróis dos quadrinhos se tornaram a sensação do momento chegando ao ponto de muitas coisas do mundo real se basearem nessas duas horas de blockbusters. Isso, obviamente, é algo com grande crescimento na última década, mas já existiam atores/ atrizes que se sustentavam em personagens tão marcantes e que hoje em dia lutam pela sobrevivência no mundo da arte que simplesmente tem olhos para o que teve mais bilhões gastos.

  Birdman traz Michael Keaton, o Batman de Tim Burton, como o protagonista Riggan Thomson, ator que viveu o super-herói alado Birdman no cinema em uma trilogia de sucesso e agora tenta provar nos palcos sua capacidade para atuação. A fusão do que está dentro e fora das telas, o conhecimento prévio do público do passado de Keaton, outrora o "astro da vez" - aqui em busca de seu primeiro Oscar - é imprescindível para o funcionamento do filme.


  As discussões colocadas no filme, na realidade, são coisas que muitas vezes já foram usadas ao longo do ano, mas desta vez de uma forma diferente dentro de um drama recheados e humor negro. Será mesmo que a sociedade esqueceu o que realmente é arte e a confunde com grandes efeitos, explosões e sangue? E quando devemos aceitar o término de uma grande carreira? Realmente vale tudo pela ascensão? 


  Os temas abordados pelo diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, trazem um ator decadente que além de julgar rótulos colocados pelas pessoas que o criticam, também tenta sobreviver dentro delas num mundo onde o números e visualizações e curtidas torne as coisas "virais" e boas.


  Com grande elenco junto, como Emma Stone e Edward Norton ( praticamente sendo ele mesmo no papel do ator teatral enlouquecido) é evidente que todos se deixaram ao máximo para alcançarem grandes atuações. O resultado é ambos concorrendo para ator e atriz coadjuvantes no próximo Oscar.


  A questão é se o público irá comprar tal idéia. Além do mais, como o próprio filme questiona, este não é realmente um filme de super-heróis com grandes efeitos e explosões, mas quem sabe o mundo não esteja interessado em algo a mais e até a Academia enxergue e entregue a estatueta dourada de Melhor Filme para o homem-passáro.


André Bludeni

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