Jack Creed estava sentado em um dos banquinhos no balcão de um bar,
virando seu primeiro copo de whisky do dia. Este pequeno bar em particular, se
você pudesse o chamar disso, estava localizado em uma pacata cidade não muito
longe de Londres, mas ele se assemelhava muito com todos os outros pelos quais
Jack havia passado nos últimos meses.
Esta era sua rotina:
ele encontraria um bar, se sentaria no balcão – balcões são ótimos; maior
visibilidade dos outros frequentadores, mais perto da porta em caso de uma
possível fuga e mais importantemente, mais perto das bebias – e tentaria
imaginar formas de se colocar um passo à frente de Reid.
Eleanor. A melhor caçadora que ele já conhecera, agora farejando seus
rastros como um cão faminto - tudo por causa de um pequeno detalhe que na
cabeça de Jack não passava de um mal-entendido. E até agora ela conseguira se
sair muito bem em seu objetivo, mas Jack contava suas vitórias onde podia. Ele
ficava especialmente orgulhoso da vez que a fizera o perseguir até uma fazenda
de cabras. Eleanor detestava cabras.
Jack riu, passando uma mão calejada pelos cabelos loiros e oleosos. Ele
enfiou a mão no longo casaco de couro procurando por seu relógio, e comprovou
aquilo que já sabia. Seu contato estava atrasado por alguns minutos. Ou talvez
já estivessem lá, e Jack simplesmente não havia percebido. Improvável, mas
possível.
Ele examinou as outras ilustres presenças do bar. O barman, um homem
carrancudo que limpava meticulosamente o mesmo copo há quinze minutos. Um grupo
de trabalhadores rurais, sentados em volta de uma mesa discutindo os
acontecimentos do dia. Um jovem que fazia truques com cartas para uma plateia
de duas mulheres visivelmente entediadas. Nenhum deles parecia ser a pessoa com
quem Jack tinha conversado, mas-
Seus pensamentos foram interrompidos quando uma nova pessoa entrou
hesitantemente no salão, e Jack imediatamente soube que era ela a pessoa com
quem tinha conversado. Parte dele estava realmente impressionado e a outra
metade queria se levantar e ir embora para muito, muito longe. Por um lado,
Jack racionalizou, já estava bom não ser uma armadilha de Reid.
A garota, uns 10 anos mais nova que Jack, e claramente desconfortável
por estar em um lugar tão mal frequentado, fez um show de fingir que não se
dirigia diretamente ao banco do lado de Jack – fazendo com que ficasse óbvio
que era exatamente isso que ela queria. Pelo menos todos os outros clientes
estavam muito preocupados em suas atividades mundanas para repararem.
“Você é... Jack?” Ela sugeriu tentativamente, tirando uma mecha dos
cabelos pretos da frente de seus olhos, sem olhar diretamente para ele.
“E você é a merdinha que hackeou meu computador e me deixou aquela
mensagem misteriosa,” Jack respondeu, não de modo maldoso. “Eu deveria te
entregar para a polícia.”
A garota sorriu, ainda não olhando para ele. “Acho que não é
interessante para você fazer isso.”
Jack concedeu, concordando com a cabeça e terminando seu whisky. Ele
pediu outro, e um para a garota. Ela olhou para o copo como se este a tivesse
pessoalmente ofendido, mas Jack não perguntou. Talvez depois ele tomasse o
dela.
“Então você entende nosso acordo?”
Ela quebrou o gelo entre eles, o fitando pela primeira vez. Ela tinha grandes
olhos pretos e amendoados, e Jack imaginou que a garota provavelmente tinha
sangue nativo americano correndo em suas veias.
“Você quer que eu entre no museu que
você trabalha, à noite?”
“Sim.”
“E roube um objeto que você ainda
vai me dizer qual é e porquê me interessa?”
“Sim.”
“E tudo isso deu certo na sua linda
cabecinha?”
A garota deu de ombros, murmurando
alguma coisa que Jack tinha quase certeza que era “é assim que acontece nos
livros”.
Jack virou seu corpo magro e esguio
para olhar diretamente para a menina. “Olha, garota, se você quiser que eu
realmente faça isso você vai ter que cooperar. Não, espera eu terminar. Você
vai ter que me dizer todos os detalhes, e só então eu vou considerar aceitar. Comprende?”
Ela pareceu considerar isso por
alguns segundos, e então puxou de dentro de sua bolsa um caderno marrom,
abarrotado de anotações. Virando para uma página ao centro, ela apontou para o
desenho intrincado do que parecia ser uma moeda.
“Isso, é um artefato Maya.” Ela
disse, apontando para o desenho com uma unha perfeitamente bem cuidada. “É
parte de um set de cinco peças, e eu tenho as outras quatro. Segundo minhas
pesquisas, é possível que elas tenham algum, bom. Elas fazem alguma coisa. Não
são só moedas.”
Jack franziu o cenho. “Poderes?
Magias? É por isso que você me contatou?”
A garota concordou. “Eu fiz minha
pesquisa sobre você, e achei que se interessaria. Se você me deixar estudar os
artefatos, eu te dou todos eles depois. Prometo.” Ela parecia muito séria, o
que fez Jack rir.
“E deixa eu perguntar, você vai me
ajudar hackeando os sistemas de segurança? É isso o que as pessoas dos seus
livros fazem? Não, não precisa responder.”
Jack se espreguiçou, contente.
Eleanor certamente ia ficar sabendo disso. Toda a situação ia contra seus
princípios de simplesmente fugir e se esconder, mas o arrepio que corria pelo
seu corpo o contrariava.
Deus, como era bom estar de volta à
ativa.

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