quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Criticando Cinema: Relatos Selvagens

  Já fazia tempo que o cinema argentino havia me chamado a atenção. Filmes como Um Conto Chinês, O Homem ao Lado, Filho da Noiva e o ganhador do Oscar de Filme Estrangeiro, O Segredo dos seus Olhos

  Com Relatos Selvagens (2014) não foi diferente, pois traz uma comédia de humor negro escrita e dirigida por Damián Szifron em forma de antologia, com aquela ansiedade de antecipar como os personagens da vez vão terminar.

São seis histórias sobre perda de controle, motivada em sua maioria pela brutalidade do dia a dia. Passageiros de um avião, uma lanchonete de beira de estrada, motoristas numa estrada, um pai de família azarado ( com o grande ator Ricardo Darín), uma noite de casamento e uma negociação dramática são os cenários, personagens e situações escolhidos por Szifron para fazer jorrar algum sangue e, eventualmente, tecer comentários sobre o estado das coisas.

  Seu filme executa pequenas variações do mesmo tema, o clássico "um dia de fúria", sem grandes pretensões artísticas. É o tipo de filme-pipoca que junta escapismo com sadismo, e que tende a encontrar no espectador, pela própria escolha do seu tema, um parceiro para compartilhar sua sessão de descarrego.

  E Relatos Selvagens não economiza na hora de extravasar. O mais interessante, ao acabar o filme, é como percebemos que coisas tão pequenas e esdrúxulas podem se tornar problemas descomunais e até irreversíveis. Percebemos que independente de tudo precisamos colocar a razão na frente da emoção e sempre ponderar nossas atitudes com equilíbrio, e por quê não, um certo humor negro/sádico.

  Não é a toa que o cinema argentino está em alta, tanto é que Relatos Selvagens concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2014/2015 deixando mais uma vez os nossos filmes nacionais no chinelo com as comédias pastelões da Globo.

   Podemos ser melhores no futebol ( o que ainda se existe muita controvérsia), mas no cinema os hermanos estão nos dando de 10 à 0.

André Bludeni 

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